quarta-feira, 9 de abril de 2008

Mídia: Mentindo a mentira, gera ou não gera vínculo?

“Quem conta um conto aumenta um ponto!”. A partir desse provérbio começo meu primeiro Post. Gostaria de aproveitar o mês da mentira, relacionar com o primeiro post do blog no dia 1° de Abril de 2008 - dia da mentira, para analisar e expor a mentira e a semiótica sob um aspecto visual na Publicidade e Propaganda.

Quem nunca mentiu na vida? Seja para ocultar algo ou mesmo para persuadir alguém.
Me vem um fato curioso e engraçado na cabeça. Era garoto, anos 90, bermuda caída, boné de lado, chega meu primo com seus doze anos de idade, na padaria ao lado da casa da minha avó. Suado, com uma expressão assustada, vira para a garçonete - nossa conhecida no balcão - e diz que foi assaltado. Nisso a coitada já tirou uma Coca-Cola de baixo do balcão, abriu e, com um salgado na mão, ofereceu ao garoto. Este sarcasticamente recusou por pelo menos mais uma investida da mesma. Lanchou e saiu sem pagar nada e com fama de coitadinho. Mas no fundo era uma farsa. Digamos em termos técnicos uma jogada de marketing. Completo mix de comunicação: a publicidade, o marketing direto e a venda pessoal integrados! Maravilhoso exemplo do cotidiano. É claro que você também tem uma dessas.

Em Propaganda e na Publicidade temos algumas ações na comunicação de massa. Começam com as campanhas militares da Segunda Grande Guerra. Tanto as de Hitler quanto as dos Estados Unidos. Ambas usavam o exaltar da bandeira escondendo verdades e fatos relevantes, para angariar aliados ao seu favor. Hoje, na comunidade cibercultural, podemos perceber algumas propagandas que utilizam da semiótica para iludir e persuadir o consumidor. Apresentam rostos lindos e corpos moldados, várias vezes photoshopados, realçando uma imagem mentirosa da modelo. Atraindo pessoas reais para um mundo “dove”.


Propaganda Nazista - Segunda Guerra Mundial


VT Institucional dos Estados Unidos na Segunda Guerra, em agradecimento aos países latinos pela ajuda.


Como cita Humberto Eco, em Entre a mentira e a ironia (p.37.2006): “(...) a expressão semiose popular. De um lado, uma linguagem verbal, artificiosa (enganadora) à disposição dos poderosos, e, do outro lado, os vários sistemas de signos, que certamente compreendem os signos ditos naturais, os sintomas médicos e atmosféricos, os traços fisionômicos, mas também aquelas “linguagens” que naturais não são mas, ao contrário, resultam ser efeito de regra e costume, como os signos indumentários, as posturas corporais...”.

Penso que devemos criar sim, iludir nunca. Pois, se falamos que determinado produto tem o sabor natural da Amazônia. Depois pegarmos o mesmo produto, original da Amazônia, veremos que o mesmo não tem o sabor real. Frustramos o consumidor. Devemos preocupar, sem limites, em criar para persuadir o leitor de uma maneira criativa. Mas que passe a transparência do produto. E consega, assim, um share of market real. O que vocês pensam sobre isso?

Bem agora saindo um pouco do lado sério da coisa e indo para algo mais lúdico e criativo da mentira na comunicação. Observei em alguns blogs e em sites, diversas brincadeiras com o 1° de Abril.

Começando com a brincadeira da Blizzard, que pela manhã ao abrir o World of Warcraft, me surpreendo com a noticia de que o jogo seria produzido para as plataformas de games. Pura mentira. Cai num site com grande produção gráfica, falando que seria para videogames pré-históricos como Atari. Boquiaberto sorri, hehehehe...essa foi minha reação.
Outra: o Orkut, que no dia, mudou o nome na parte superior para Yogurt.

imagen retirada do site:
http://www.eitapiula.net/2008/04/01/1%C2%B0-de-abril-dia-em-que-o-orkut-virou-yogurt/

Sem falar que todas as indicações do Youtube caíam num vídeo do Rick Astley, Never gonna give you up. (link para o video, note os comentários.). Com a brincadeira do Rick Roll You. Mensagens falsas enviadas por Twitter, email ou outro meio, que caem nesse vídeo trash dos anos 90. Valeu pelo estilo das roupas, muito comédia. Poxa, vídeozinho chato, mas tornou-se o vídeo de maior acesso por causa da brincadeira. O mais engraçado são os comentários das pessoas que foram pegas, vale a pena conferir.

Várias empresas gastam horrores em mega produções com o intuito de fazer uma piada. Penso nisso como uma tendência e uma oportunidade de brincar e interagir da marca com o consumidor. Por um certo exagero, mostram que de uma forma ou de outra é uma mentira. Isso cria um reforço de massa e um vinculo com a marca. Cria-se uma tradição de se esperar qual será a próxima lie joke da empresa. Cria-se a oportunidade de mídia espontânea e marketing viral. Qual será a próxima?

Sabe de outra ação no dia 1° de Abril, então comente.

Abraços

Bruno Cafaggi Paixão

Um comentário:

Gabriel de Azevedo disse...

Caro quarteto,

Acabo de fuçar o vosso blog em plena aula de direito processual civil. Uma indicação do amigo Thales Campomizzi. Aproveitei e li todos os posts... Vou acrescenta-los entre meus links, afinal também sou aluno de publicidade e propaganda na PUC-Minas...

Aproveito, para enviar uma artigo que escrevi sobre comunicação e campanha política na web 2.0...

http://ninhotucano.wordpress.com/2008/03/30/um-mal-entendido-eleitoral/

O texto está no blog que edito que versa sobre política e comunicação.

Abraços e continuem na blogosfera.